Faroeste Spaghetti
“Violência é uma das
coisas mais divertidas de se assistir.”
— Quentin Tarantino.
Faroeste Spaghetti.
Alan Jackson era um ator, pelo menos era o
que ele dizia quando ia assinar sua ficha no seguro desemprego. Não conseguia
um bom papel há muitos anos, apenas fazia pontas em episódios ruins de
faroestes dirigidos por italianos. Ele era figurinha carimbada nessas produções
de baixo orçamento e muita cara de pau. Claro, ele era alto, loiro, com olhos
grandes e azuis. Isso chamava a atenção, por isso ele estava sempre nas
audições. No entanto, nunca conseguia o papel principal porque não sabia atuar,
nem segurar ou atirar com uma arma, nem mesmo se fosse de verdade. Alan era um
ator de verdade, recebeu várias propostas para fazer pornôs, mas não quis.
Sendo em um set desse tipo de filme que ele conheceu Pamela, foi amor à
primeira vista, ela era loira bem magra, magra até demais para os padrões
daquela indústria. Mas a garota tinha um diferencial, algo que chamava atenção
de todos os homens que punham os olhos nela, sua bunda era simetricamente
perfeita. Seus pequemos seios eram firmes e durinhos. Uma verdadeira deusa
ninfa do monte olimpo.
Só que nem tudo eram flores, o que ela
tinha de tão bela, também tinha de louca, Alan Jurava que ela tinha sérios
problemas de bipolaridade, para fugir deles, usava em excesso, álcool e todo
tipo de droga que vice pela frente. Se tornou atriz pornô porque era viciada em
sexo. Alan também, por isso se tornara um casal quase perfeito. Quase, porque
tudo se acabou naquela fatídica noite. Alan acertou um tiro em cheio, na cabeça
da garota. Mas antes de tudo, voltaremos no tempo, Alan estava no set de filmagens
do filme, “O Chacal e seu Bando”. Ele seria o xerife da pequena cidade, que
logo no começo seria baleado e morto pela gangue mexicana que invadiria a
cidade, para roubar os títulos imobiliários que estavam no banco.
Ele ficaria em cena, nem uns cinco minutos,
mas falaria mais de meia dúzia de palavras. Na sua cabeça, isso era importante,
já que nos outros projetos ele nem tinha falas. As filmagens do dia foram
finalizadas, e Alan estava orgulhoso de si, confiante de que o filme seria um
grande sucesso no vídeo. E que após ele, conseguiria papéis maiores. Ao chegar
em casa, estacionou seu Mustang na garagem e viu que o carro de Pamela não
estava lá. Mas logo pensou: se ela não está em casa, quem seria que estava lá dentro,
já que havia música no ambiente e as luzes estavam acessas.
Logo ele voltou para o caro, abriu a
porta-luvas e pegou um calibre 45, que havia comprado há poucos dias para
treinar tiro ao alvo. Quando entrou no seu quarto, lá estava Pamela, cavalgando
em um cara negro e forte. Ele sem pensou duas vezes atirou para matar. O negro
coberto de sangue saiu correndo pelado enquanto Alan não acertava nem um tiro,
ele nunca havia atirado em alvos em movimento. Parou para recarregar, acertou
um vizinho que sai na rua para olhar, e até que enfim um dos tiros pegou na
perna do amante que caiu de cara no chão. Alan foi friamente até o cara e lhe
acertou com vários tiros na cabeça, ficando completamente desfigurado. Alan,
então todo sujo de sangue, sentou na calçada e esperou a polícia chegar...
— Alô, acabei de escrever o melhor roteiro
que você vai filmar em vida.
— É mesmo? E como se chama essa futura obra
de arte?
— Espero que você não esteja sendo irônico…
— Todos os roteiros que você me apresenta
não são grandes coisas mesmo.
— Esse vai ser, e vai se chamar “Faroeste
Spaghetti”.
Fim.



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